Câmara de São Paulo gastará 52 milhões com contratos de informática

Causou-me indignação reportagem que vi num Blog do Estadão sobre a Câmara Municipal de São Paulo. Serão gastos aproximadamente R$ 52 milhões de reais em licenças proprietárias de software, basicamente no já velho e defasados conhecidos Oracle + Microsoft. O texto completo você pode ver aqui, de autoria de Diego Zanchetta.

A despeito da opção técnica de uma ou outra plataforma de desenvolvimento, o que é mais surpreendente é como tem a desfaçatez de mentir, utilizando alegações como que o software livre não oferecem segurança: “Sem proteção alguma, todos os dados, inclusive os financeiros e do próprio sistema legislativo, ficam acessíveis ao manejo de qualquer pessoa. Ao contrário, no modelo atual, a chave de segurança do sistema é a propriedade da Câmara Municipal.”

É compreensível alegar que manter uma plataforma, eventualmente, pode implicar em menos custos de treinamento e com a transição de sistema, que certamente causa impacto. Entretanto, alegar que o Software Livre não oferece travas de segurança, ou que ela estaria no segredo do código é de um absurdo inimaginável. Apenas para lembrar que a própria Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil utilizam sistemas de software livre. Qual será a informação tão importante que a Câmara de um município, por maior que ele seja, é mais interessante e lucrativa que dos dois maiores bancos públicos brasileiros?

Vale lembrar que nos episódios envolvendo a espionagem, a NSA contava com o apoio de diversas empresas norte-americanas, entre elas supostamente a Microsoft. O Software Livre também esteve envolvido: só que do outro lado da história, já que o Pentaho foi utilizado para conseguir mapear e minerar os dados importantes, fornecendo os relatórios para a inteligência. Da próxima vez que quiserem torrar o dinheiro público deste gigante readormecido, façam um favor: pelo menos melhorem a desculpa!