Culpa da Dilma?

Interessante artigo intitulado “Culpa da Dilma…”, publicado no Jornal Estado de Minas deste sábado, assinado pelo jornalista automotivo Boris Feldman, relata a dificuldade das montadoras em produzir carros seguros no país. O grande drama é que as montadoras só equipam veículos com dispositivos de segurança obrigatórios. Ir além disto significa ter um carro mais caro que o da concorrência e baixo índice de vendas.  

Obviamente, o grande motivo para nossa falta de preocupação com segurança é comportamental. Nunca acreditamos que um acidente vai ocorrer conosco (o que explica, entre outros, o gigantesco número de motocicletas nas ruas, coisa que não existe nos países de fato desenvolvidos). E como nosso mercado tem poucos carros equipados com certos dispositivos que deveriam ser “básicos”, como ABS, muitos motoristas nunca saberão a diferença de comportamento e segurança que um bom veículo pode proporcionar.

A regra é bem clara. Como não compramos carros por segurança porque a achamos importante, a montadora que investe além do “mínimo”, perde. E com isto, temos o absurdo “desinvestimento”. Este é um fenômeno que ocorre quando uma montadora precisa investir para tornar um carro menos completo. Um exemplo citado pelo jornalista é o do VW Golf, quando passou a ser produzido no país. Foi preciso projetar um novo volante, que contemplasse que o Air-Bag fosse incluído apenas como item opcional.

Portanto, cabe ao governo sim a culpa pela insegurança de nossos carros. Problema que começa na educação básica, em formar cidadãos capazes de fazer avaliações sensatas e críticas. Passa por campanhas de segurança, e parar de achar que a culpa de toda morte e acidente no trânsito é causada por uma combinação de excesso de velocidade e bebida, como se fossem estes os únicos fatores a serem considerados num acidente (até parece que o motorista brasileiro é o único no mundo que excede limites de velocidade e dirige alcoolizado). E, finalmente, mesmo assim não conseguindo convencer da importância de certos itens, equiparar nossa indústria ao que existe de melhor no exterior por meio de legislações adequadas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *